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Coluna Vespeiro – Apresentação e Pílula Direita vs. Esquerda



Em fins do século passado, a geração Y ainda aprendia de maneira compartimentada a língua portuguesa em Gramática, Literatura, Interpretação de texto e Redação, em tempos de Enem, aprendem-se Linguagens, códigos e suas tecnologias. Naquele final da década de 90, lembro de duas palavras estranhas da teoria gramatical: denotativo e conotativo.

A professora explicava que uma palavra poderia ter esses dois sentidos, o primeiro se referia à palavra no seu sentido real e literal e o segundo, à palavra no seu sentido figurado, metafórico ou subjetivo.

A frase: “a vespa fez um casulo de barro”, quer dizer realmente, sem entrelinhas, que o inseto chamado de vespa construiu um casulo de água e terra em algum lugar da natureza.

Já o ninho das vespas (sentido denotativo) é chamado de vespeiro, porém mal sabem as vespas que seu lar tem o sentido conotativo de um lugar onde se encontram riscos, perigos, trapaças e armadilhas; “mexer em vespeiro” está na linguagem cotidiana, assim como estão “mexer em caixa de marimbondos/abelhas” e “meter a mão na cumbuca”, para indicar que alguém está lidando com assuntos sensíveis, com muitos vieses e de difícil solução.

E este é o objetivo desta coluna que inauguramos: mexer em vespeiros de assuntos jurídicos e políticos.

Costumo defender que as três questões que mais influenciam nossas vidas em sociedade são muito pobremente apresentadas no currículo mínimo dos ensinos fundamental, médio e até universitário, que são: Economia, Política e Direito. Interessados têm que se desdobrar para buscar entender o mínimo daquilo nos rege. Nós pretendemos contribuir com o debate político e o jurídico.

Pelo longo do ano de 2021, publiquei semanalmente textos jurídicos, com viés didático, neste Diário de Votuporanga. O fruto deste trabalho está sendo reunido em um livro que publicaremos em breve sob o título “Crônicas Jurídicas & Cinema”.

Em pesquisas na Internet encontramos um blog homônimo chamado “vespeiro.com”, mas que apresenta um tom sensacionalista bem diferente do que pretendemos com esta coluna. Apesar de que não nos furtaremos ao debate de assuntos polêmicos, nosso foco será o de dar fundamentos para que o cidadão possa melhor decidir qual lado, ou até mesmo o próprio muro, pretende ocupar.

Apesar de Umberto Eco, escritor e filósofo italiano, ter dito certa feita que a Internet deu voz a uma “legião de imbecis”, eu penso que houve ganhos neste processo: se hoje há “tretas”, discussões, críticas políticas e jurídicas, podemos constatar que ao menos estamos preocupados com as questões coletivas. Em um próximo passo, que será fruto de educação política, talvez discutamos de maneira mais abalizada, com mais fundamentos, e este é uma das metas desta pequena “vespa”.

Como uma primeira pílula, questão candente de nossa sociedade, que continuaremos abordando na coluna da semana que vem, é a dicotomia Direita vs. Esquerda.

Penso que a primeira coisa que deveríamos nos questionar é: o que significa direita e o que significa esquerda? A segunda seria: é possível enquadrar todas as nuances políticas em apenas duas denominações?

A resposta à segunda questão é não, porque apesar de dualidades serem mais simples ao raciocínio, uma vez que colocamos de um lado aquilo que é e do outro lado aquilo que não é, o certo é que há uma ampla gama de questões com nuances a serem discutidas e classificadas, inclassificáveis em apenas dois polos.

Historicamente direita e esquerda vêm das posições que ocupavam os membros da Assembleia Nacional após a Revolução Francesa de 1789: quem era a favor do rei se sentava à direta no parlamento, quem era contra, se sentava à esquerda. Foram os primórdios da distinção.

Tempo passou e hoje temos questões como: democracia, progressismo, direitos individuais, direitos sociais, direitos humanos, direitos fundamentais, prisão, segurança pública, educação, anarquismo, minorias, direitos sexuais, Lula, Bolsonaro, ditadura “de esquerda”, ditadura “de direita”, fascismos, família, conservadorismo, reacionarismo, indígenas, quilombolas, população LGBTQIAPN+, religiões, a serem enquadradas no que a população considera como direita e esquerda.

Espero que gostem dos textos que virão e desde já agradecemos.

Vespeiro por Bruno Arena

Bruno Arena: Mestre em Direito Penal e Humanos pela Universidade de Salamanca (Espanha). Especialista em direito penal e direito eleitoral. Presidente do Rotary Club Votuporanga 2022/23. Vice-Presidente da ACILBRAS. Membro do Observatório da Democracia. Proprietário do Cine Votuporanga.  Autor e tradutor de livros. Advogado. Instagram @adv.brunoarena

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