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#Verificamos: Satélite lançado pelo Brasil não é capaz de fotografar Amazônia 24 horas por dia ou detectar minerais

​​​​​​​FALSO

#Verificamos: Satélite lançado pelo Brasil não é capaz de fotografar Amazônia 24 horas por dia ou detectar minerais

Circula pelo WhatsApp um texto que afirma que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) colocou em órbita três satélites brasileiros capazes de “monitorar e controlar todo o território” brasileiro. Diz ainda, sem apresentar provas, que ONGs atearam fogo na região amazônica para receber dinheiro. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“O homem ENDOIDOU? Colocar 3 Satélites brasileiros moderníssimos capazes de fotografar em alta definição todo o território da Amazônia 24 horas por dia, todos os meses e anos? Inclusive equipados com sensores idênticos aos usados em Sondas Espaciais enviadas a outros planetas? Bolsonaro endoidou? Agora os brasileiros serão capazes de pesquisar a natureza do solo detectando minerais, fontes de águas subterrâneas, pedras preciosas e semipreciosas, nióbio, ouro, etc.? Mas o que será agora das campanhas do [presidente francês Emmanuel] Macron, da [chanceler alemã Angela] Merkel e de toda a caterva de parasitas internacionais em favor da Amazônia e contra o Bolsonaro? […]”

FALSO

 

A informação analisada pela Lupa é falsa. De fato, hoje o Brasil tem três satélites de sensoriamento em operação. O mais recente, Amazonia-1, se junta ao CBERS-4A, enviado ao espaço em 2019, e a seu antecessor CBERS-4, lançado em 2014 — ou seja, durante o governo da então presidente Dilma Rousseff (PT). Os dois últimos foram produzidos e são controlados em parceria com a China.

Amazonia-1 é o primeiro satélite 100% brasileiro, e foi lançado de uma base na Índia em 28 de fevereiro de 2021. O equipamento começou a ser projetado em 2009 pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, com o objetivo de reduzir a dependência de imagens de satélites estrangeiros. Sua missão principal é monitorar a região amazônica, mas também áreas de agricultura em todo o território nacional, entre outras possibilidades. Sua vida útil estimada é de 4 anos.

O Amazonia-1 realmente tem a capacidade de capturar imagens em alta resolução, mas não “24 horas por dia” como a mensagem afirma. Por estar orbitando sobre a Terra, o satélite consegue gerar imagens de qualquer ponto do planeta a cada 5 dias. Se necessário, pode fornecer dados de um ponto específico em 2 dias — o que, segundo o Inpe, vai ajudar a fiscalizar áreas que estejam sendo desmatadas.

O equipamento não consegue detectar minerais, fontes de água subterrâneas ou pedras preciosas por meio do satélite, como a mensagem sugere. O Amazonia-1 pode ajudar a observar melhor o desmatamento na região amazônica, mas seu monitoramento é espacial.

Especialistas afirmam que o satélite é importante para reforçar a cobertura do território nacional. Fatores como nebulosidade podem atrapalhar a captura de imagens, daí a necessidade de ter mais equipamentos fazendo registros em momentos diferentes. Existe ainda a vantagem de garantir uma órbita mais focada no território brasileiro, já que os CBERS também atendem às demandas da China.

No entanto, o monitoramento “24 horas por dia” não é novidade. O Inpe mantém, desde 2004, o sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter). A tecnologia permite identificar e mapear, quase em tempo real, desmatamentos e demais alterações na cobertura florestal. O Amazonia-1, inclusive, vai fazer parte desse sistema.

Foi a expressiva alta do desmatamento apontada pelo Deter que motivou, em agosto de 2019, a demissão do então diretor do Inpe, o físico Ricardo Galvão. À época, o presidente Jair Bolsonaro, sem nenhuma evidência, acusou Galvão de trabalhar “a serviço de alguma ONG” e disse que os dados do Inpe “não conferem com a realidade”. Em resposta, Galvão declarou ao jornal O Estado de S.Paulo que a atitude do presidente era “pusilânime e covarde”.

Mesmo depois das críticas de Bolsonaro, o Deter segue emitindo alertas. De acordo com o sistema, só em maio deste ano, o índice de desmatamento em unidades de conservação federal aumentou 312% em relação ao mesmo período do ano passado.


 

FALSO

 

A informação analisada pela Lupa é falsa. A mensagem se refere à prisão, pela Polícia Civil do Pará, de quatro brigadistas de Alter do Chão suspeitos de atear fogo na floresta para receberem doações. As prisões, em novembro de 2019, foram criticadas por entidades ambientalistas e de direitos humanos. Meses depois, a Polícia Federal descartou a participação deles nos incêndios da Amazônia. A Lupa já checou informações falsas que acusavam a WWF de patrocinar queimadas na região.

A suposta atuação criminosa das ONGs na Amazônia ganhou dimensão após declarações de Bolsonaro. À época, comentando o caso paraense, o presidente chegou a acusar o ator norte-americano Leonardo DiCaprio e a ONG WWF de financiarem queimadas criminosas no Brasil. “O pessoal da ONG, o que eles fizeram? O que é mais fácil? Botar fogo no mato. Tira foto, filma, a ONG faz campanha contra o Brasil, entra em contato com o Leonardo DiCaprio, e o Leonardo DiCaprio doa US$ 500 mil para essa ONG. Uma parte foi para o pessoal que estava tocando fogo, tá certo? Leonardo DiCaprio tá colaborando aí com a queimada na Amazônia, assim não dá”, criticou, novamente, sem apresentar provas.

Antes, em agosto de 2019, na esteira da demissão de Ricardo Galvão do Inpe e da escalada da pressão internacional, o presidente Bolsonaro já havia afirmado, também sem apresentar provas, que organizações não-governamentais poderiam estar por trás de queimadas na região amazônica para “chamar atenção” contra ele e o governo brasileiro.

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

Editado por: Chico Marés


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