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PARTIDO EXPULSA EX-PREFEITO QUE ADMITIU TER ROUBADO, “MAS NÃO TANTO QUANTO O ATUAL”

“Se eu fui preso é porque teve algum motivo”, admitiu o ex-prefeito, que, no entanto, disse que roubou para dar aos pobres.

PARTIDO EXPULSA EX-PREFEITO QUE ADMITIU TER ROUBADO, “MAS NÃO TANTO QUANTO O ATUAL”

O PTB (14) decidiu expulsar do partido o ex-prefeito de Cocal José Maria Monção que comparou sua gestão com a do atual prefeito, Rubens Vieira (PSDB), ao dizer que “não roubou tanto quanto” ele. A declaração de Monção foi dada durante convenção do MDB no último domingo (6). 

Monção foi preso duas vezes, em 2009 e 2015 (leia mais abaixo). Ele foi eleito prefeito da cidade nos anos de 1992, 2000, 2004. Segundo a Polícia Federal, ele cometeu irregularidades entre 2006 e 2008, portanto em seu último mandato.

O presidente da sigla no estado, João Vicente Claudino, disse que com as declarações o ex-prefeito tornou-se um réu confesso e que agiu como se estivesse em um “campeonato de desvio de dinheiro público”.

“Ele se tornou um réu confesso, se não fez isso em juízo, fez em público. Não estou surpreendido pelas declarações, ele sempre teve esse estilo jocoso, debochado, mas fui pego de surpresa por ele ainda estar filiado. Quando soube [das declarações], pedi para verificarem, comuniquei ao partido, e por meio de uma comissão provisória, tomamos a decisão da expulsão de imediato, no primeiro dia útil após a declaração [essa terça-feira, 8]. O que ele fez foi como se estivesse em um campeonato de desvio de dinheiro público, querendo saber quem roubou mais”, declarou.

João Vicente Claudino disse ainda que a declaração do ex-prefeito de que teria “roubado para dar ao povo” não se justifica.

“Não existe isso de roubar seu dinheiro para dar de novo a você. O dinheiro já é do povo. O que ele falou indica que ele acha que isso é um ato comum. Só nos resta lamentar o que foi dito”, disse o presidente.

Na ocasião em que fez as declaração, Monção participava da convenção do MDB que lançava seu candidato a prefeito da cidade, contando com a presença do prefeito de Teresina, Firmino Filho (PSDB) e do senador Ciro Nogueira (Progressistas).

“Fui prefeito 3 vezes, sei do sofrimento. Mas também não roubei o tanto que esse aí roubou, não. Esse é descarado, está afundando Cocal”, afirmou José Monção.

Entre reações do público com palmas e risos, ele continuou. “Eu posso até ter tirado alguma coisa, dado pros pobres. Que na verdade ninguém pode ser tão sincero. Se eu tivesse sido tão direito, eu não tinha ido preso, né. Se eu fui preso, tem um motivo. O mais político que rouba, rouba para dar pro povo. É difícil o cara roubar para si. Agora esse daí não, roubou para ele. A maior mansão da cidade de Cocal é a dele.”

Preso duas vezes

José Monção foi preso em 2009 durante a Operação Harpia da Polícia Federal, acusado de participar de um esquema que desviou mais de R$ 2,6 milhões do Fundeb, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica. Em 2015, ele chegou a ser preso novamente por crimes de responsabilidade praticados quando estava no cargo.

Por nota, a assessoria do prefeito Rubens Vieira declarou repúdio ao que chamou de discurso de ódio e acusações levianas de um adversário político. Disse ainda que José Monção tentou justificar suas ações expondo de forma indevida o atual prefeito, e que Vieira tem uma gestão comprometida com o povo cocalense.


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