Artigo

PARÁBOLA POLÍTICA | A VEREADORA DO CHIQUEIRO



Eis que, em uma cidade distante — daquelas onde os chiqueiros da política vivem constantemente alagados — surgiu a figura da vereadora Porqueinha Pepa Pig. Em meio à lama espessa do poder, Pepa nunca perdeu a oportunidade de se lambuzar. Pelo contrário: parecia sentir-se à vontade quanto mais fundo afundava.

Conhecida por sua presença ruidosa nas redes sociais da fictícia Iraucária Magnda, Pepa era hábil no bater de cascos virtuais. Curtidas, compartilhamentos e discursos inflamados nunca lhe faltaram. Governar, porém, jamais foi o seu forte. Afinal, falar da lama é fácil quando se nasce no chiqueiro.

Embora tentasse disfarçar, o DNA do focinho sempre denunciava sua origem. A cada postagem moralista, um novo respingo de incoerência. A cada crítica lançada aos outros, mais lama grudava em sua própria pele. Pepa atacava como quem aponta o dedo com uma pata suja, fingindo não perceber o próprio cheiro.

No tempo em que militou — e aqui a história não perdoa — pouco construiu além de alianças malcheirosas. Em nome de um poder que nunca compreendeu, se emlameou nas imoralidades que dizia combater. Fez da lama seu discurso, do chiqueiro sua trincheira, e da gritaria seu único legado.

E assim, como ensinam as velhas parábolas políticas, Pepa Pig não foi derrubada por adversários, nem silenciada por críticas. Afundou sozinha. Morreu politicamente como viveu: atolada no próprio chiqueiro, vítima da lama que tanto espalhou.

Porque, no fim das contas, a política — como a água — sempre encontra o nível real de cada um.


RECEBA NOTÍCIAS NO SEU WHATSAPP!
Receba gratuitamente uma seleção com as principais notícias do dia.

Mais sobre Artigo