Há ditados populares que valem mais que qualquer discurso político. “O peixe morre pela boca” é um deles. Outro, talvez mais certeiro, diz: “o caçador que grita antes de atirar a flecha espanta a caça”. E no caso do presidente da Câmara de Jales, Bruno de Paula, ambos se encaixam com perfeição cirúrgica.
Antes de fazer da cadeira de vereador uma extensão de sua própria conveniência, Bruno parece ter esquecido que o mandato é um cargo de serviço público — não de subserviência pessoal. Mas em Jales, o que se vê é o contrário: um legislador que, ao invés de servir à população, tem se servido dela — e muito bem servido, diga-se de passagem.
A Arma da Lei — Literalmente
Bruno de Paula conseguiu algo raro: mudar leis para atender aos próprios interesses. Primeiro, alterou as regras internas para poder andar armado dentro da Câmara Municipal. Depois, mexeu justamente naquilo que hoje é o centro das atenções: as diárias de viagem.
Essas mudanças transformaram o que era uma verba de apoio em um verdadeiro atrativo financeiro. E como consequência, o vereador passou a viver um “novo tempo”, onde cada deslocamento oficial pode render milhares de reais. O problema? A população não viu até agora nenhuma conquista proporcional a esse custo.
Política Profissional — e Lucrativa
Bruno de Paula é hoje o único vereador jalesense que vive exclusivamente da política. Não possui outra profissão. Ou seja, o contribuinte paga R$ 10.400 por mês, mais as benesses e diárias que o cargo proporciona, para ter um “representante” que transformou o serviço público em fonte de sustento pessoal.
E ainda assim, ao olharmos para trás — 2021, 2022, 2023 e 2024 —, fica difícil encontrar algo realmente relevante que ele tenha trazido para Jales. Faltava “incentivo” para viajar, dizia-se. Pois bem, o incentivo veio — e veio em forma de dinheiro.
Matar a Cobra e Mostrar a Cobra
Para não deixar dúvidas, apresentamos o documento oficial assinado pelo próprio vereador, em 29 de abril de 2024. Nele, Bruno de Paula solicita uma viagem a São Paulo com o motorista do Executivo, Luciano dos Santos Silva, pedindo um adiantamento de R$ 3.000,00.
O detalhe é que essa diária incluía duas pessoas — o próprio Bruno de Paula e o motorista. Mas é aqui que a diferença salta aos olhos: atualmente a mesma viagem, enquanto o motorista recebe em torno de R$ 2.000,00 para cobrir despesas de combustível, alimentação e hospedagem, sendo obrigado a devolver o que sobrar mediante apresentação de nota fiscal, o vereador Bruno de Paula embolsa quase R$ 3.000,00 livres, sem precisar apresentar qualquer comprovante de gasto.
Três mil reais para uma viagem de três dias, com transporte oficial pago e hospedagem presumivelmente coberta. Agora fica a pergunta: quantos desses gabinetes receberam realmente o vereador? Quantos resultados concretos chegaram a Jales após essa “missão oficial”?
A resposta, até o momento, é tão silenciosa quanto o plenário após uma promessa vazia.
Ditado Final
A sabedoria popular não falha: “a mentira tem perna curta”. E quando ela tenta se esconder atrás de notas fiscais e resoluções internas, é apenas questão de tempo até que tropece nas próprias justificativas.
Bruno de Paula quis mostrar serviço, mas acabou mostrando demais — inclusive o quanto o sistema das diárias pode ser lucrativo para quem confunde o verbo “servir” com “se servir”.