Enquanto a direita ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro se movimenta para reorganizar lideranças e construir um nome forte para enfrentar o PT nas urnas de 2026, um fato concreto dentro do próprio governo Lula pode se transformar no maior combustível eleitoral da oposição — ainda que muitos não tenham percebido.
O alvo da polêmica desta vez é a imensa categoria dos Microempreendedores Individuais (MEIs), um dos pilares da economia brasileira e peça fundamental no combate à informalidade. Criado para simplificar a vida de quem trabalha por conta própria, o MEI sempre foi celebrado como um modelo eficiente que gerou inclusão, formalização e arrecadação para os cofres públicos.
Mas agora, bem na boca de um ano eleitoral, o próprio governo petista parece agir na contramão dessa lógica.
De política de inclusão a instrumento de penalização
Nos bastidores, cresce a revolta de milhares de microempreendedores diante da nova postura da Receita Federal, que decidiu promover um verdadeiro “pente fino” na categoria.
O que era para ser incentivo virou punição: a partir das novas regras, o faturamento pessoal do CPF passará a ser somado ao faturamento do MEI.
Na prática, isso empurra uma multidão de pequenos empreendedores de volta para a informalidade — justamente aqueles que o programa pretendia resgatar.
É como se o governo desse com a mão direita e tirasse com a esquerda.
O discurso oficial fala em “correção de distorções”. Mas, no mundo real, o que se forma é um cenário de insegurança e ressentimento entre os que lutam para sobreviver com pequenos negócios, vendas informais, serviços e atividades que sustentam milhões de famílias.
“Voltando para a informalidade”: o efeito dominó
A revolta é grande e crescente. Grupos de MEIs por todo o país falam em:
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Aumento de carga tributária disfarçado
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Perseguição fiscal
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Burocratização
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Desestímulo ao pequeno empreendedor
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Ameaça direta ao sustento familiar
E, como você bem colocou, Betto:
“só não percebe quem não quer”.
A oposição ainda não está explorando esse desgaste — talvez por falta de leitura política, talvez por falta de coordenação.
Mas a verdade é que milhões de pessoas atingidas por essa mudança estarão nas urnas em 2026.
Impacto eleitoral: um tiro no próprio pé?
Se existe um erro estratégico capaz de mudar o rumo de uma eleição, este pode ser um deles.
O governo Lula, que sempre se apresentou como defensor da classe trabalhadora e dos pequenos, agora assume um movimento fiscal que afetará justamente a base que historicamente mais o apoiou.
E, no tabuleiro da política, decisões assim costumam ter consequências.
No fim, a pergunta que fica é: