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Foragido há um mês, Zé Trovão mantém ataques: “Não retiro o que disse”

Em entrevista, caminhoneiro alvo da PF elogia Bolsonaro e cogita ficar no México: "Voltar ao Brasil para ser preso está fora de cogitação"

Foragido há um mês, Zé Trovão mantém ataques: “Não retiro o que disse”

Há um mês foragido no México, o caminhoneiro foragido Marcos Gomes, conhecido como Zé Trovão, afirmou que não aceita ser preso no Brasil e negou que recuará dos ataques que fez ao STF e ao Senado. Responsável pelo início de um “levante” contra a democracia, segundo a PGR, Trovão mora na casa de um amigo e espera dirigir um caminhão na Cidade do México.

Em entrevista à coluna nesta segunda-feira (11/10), Trovão cogitou não retornar jamais ao Brasil: “Se me falarem: ‘Você só volta para o Brasil se fizer uma carta pedindo perdão para o ministro Moraes’, então vou passar o resto da minha vida fora do Brasil. Eu posso pagar um alto preço, mas não retiro o que disse. Voltar ao Brasil para ser preso está fora de cogitação”.

Questionado sobre a carta em que Jair Bolsonaro recuou dos ataques ao Supremo no 7 de Setembro, o caminhoneiro desconversou e defendeu que dentro do gesto existe um acordo — que ainda não chegou para ele no México.

Leia os principais trechos da entrevista:

Quando pretende voltar ao Brasil?
Pretendo voltar quando a situação da minha prisão for resolvida. Meus advogados já fizeram mais de dez pedidos, mas o ministro Alexandre de Moraes negou. Eles pediram que eu pudesse retornar ao Brasil sem ser preso. Voltar ao Brasil para ser preso está fora de cogitação. Não sou criminoso. O dia em que eu desistir de lutar, prefiro ir embora do Brasil definitivamente com minha família. Pedi asilo político aqui no México e ainda espero uma resposta. Fiz uma entrevista no consulado na semana passada. Talvez eu consiga uma autorização para trabalhar. Aí eu posso dirigir caminhão no México, que é o que eu sei fazer.

Como consegue se sustentar?
Eu poderia estar trabalhando ilegalmente, mas não estou. A coisa fica um pouco complicada porque você fica sem recursos próprios. No Brasil, eu tenho quatro crianças e uma mulher. Tudo isso é muito difícil, mas estou sobrevivendo. No Brasil, quando eu trabalhava atrás do volante, eu mal conseguia me sustentar. E agora estou numa situação pior. Graças ao bom Deus, estou acolhido na casa de um amigo brasileiro que tem cidadania mexicana. Então, não estou pagando hospedagem.

A PGR afirmou que você iniciou um “levante” contra a democracia ao pregar a invasão do STF e do Senado. Não retira nada do que disse?
Se me falarem: ‘Você só volta para o Brasil se fizer uma carta pedindo perdão para o ministro Moraes’, então vou passar o resto da minha vida fora do Brasil. Ambos têm de reconhecer seus erros e acertos. A próxima atitude que ele tomar, vou criticar novamente. Perdão a gente pede quando está errado. Sou um homem que não se arrepende do que faz. Eu posso pagar um alto preço, mas não retiro o que disse. Talvez o tom das palavras tenha sido equivocado, mas não as críticas para Moraes e os outros que estão cometendo crimes. Se dentro desse acordo eles forem fazer o papel deles como ministros, para mim está tudo certo.


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