Política

Em entrevista, Rodrigo Garcia promete pedágio mais barato na região de Rio Preto

O governador de São Paulo, afirmou também que a região não terá novas praças de cobrança e anuncia licitação bilionária

Em entrevista, Rodrigo Garcia promete pedágio mais barato na região de Rio Preto

O governo de São Paulo abortou o programa de concessões de rodovias que previa dez novas praças de pedágio na região de Rio Preto.

Em entrevista ao Diário, o governador Rodrigo Garcia (PSDB), que vai tentar a reeleição em outubro, afirmou que o trecho da Washington Luís de Mirassol a São Carlos terá nova licitação, sem praças de pedágio adicionais e redução de 15% na tarifa.

Na região, há uma praça no trecho, em Catiguá. Rodrigo, que traz para Rio Preto nesta segunda-feira, 2, o “Governo na Área”, ainda irá anunciar recursos para o Hospital de Base. Ele afirmou também que pretende apresentar propostas de campanha “no momento certo”.

Ele disse ainda que a polarização prejudica a população. “São Paulo não quer aventureiros”, disse.

Diário da Região - O senhor estará em Rio Preto nesta segunda, 2, com o programa Governo na Área, que tem por objetivo dar maior visibilidade à sua gestão. O que irá anunciar para a cidade e a região?

Rodrigo Garcia - Meu objetivo com o programa é aproximar o governo da população, ouvir as demandas dos municípios e também prestar contas daquilo que está sendo feito pelo Estado em cada região. Transfiro o gabinete do governador para a cidade, levo toda a equipe de secretariado e também é uma oportunidade de fazer novos anúncios para a região. Vamos anunciar a nova licitação do trecho da Washington Luís que corta nossa cidade de Rio Preto. Sabemos da demanda da região com relação às novas marginais (na rodovia, no trecho entre Mirassol, Rio Preto e Cedral). Tentei durante um período, infelizmente a pandemia nos atrapalhou, criar condições de renovação para inclusão dessa obra, mas nossa equipe técnica fechou uma posição de que só é possível fazer as marginais de Rio Preto com nova concessão. Então, vamos anunciar a nova licitação da concessão do trecho da Triângulo do Sol, na Washington Luís, que vai incluir as marginais de São José do Rio Preto como obrigatoriedade de obra no primeiro ano de concessão. As praças atuais de pedágio serão mantidas com pedágios 15% mais baratos, sem nenhuma praça nova. E vamos incluir uma grande inovação, que é o desconto de usuário frequente. Quanto mais usa, menos paga. O desconto pode chegar até 70% na tarifa.

Diário - A concessão atual termina quando?

Rodrigo Garcia - Vamos publicar o edital de licitação em junho para o leilão ser realizado em setembro. A previsão é de contratação até o final do ano para quem ganhar a licitação. A previsão de investimento, ao longo da rodovia, é de R$ 11,9 bilhões no período de 30 anos. A principal obra é a marginal de Rio Preto, ainda tem a marginal de São Carlos. Tem a terceira faixa de São Carlos a Araraquara, a duplicação da Washington Luís até Taquaritinga e outras obras. Basicamente, em Rio Preto é a inclusão de novas marginais na rodovia, obra estimada em R$ 600 milhões.

 Diário - E o plano de concessão apresentado anteriormente ? Não tem mais aquela previsão de dez praças novas?

Rodrigo Garcia - Não tem mais nenhuma praça nova. Íamos incluir a Assis Chateaubriand nas concessões. Eu contratei projetos de duplicação e nós vamos fazer a obra com o orçamento do Estado. Não será uma rodovia concessionada. Não tem praça nova. O governador garante a contratação de projetos para duplicar a Assis Chateaubriand com recurso do governo do Estado.

 Diário - O senhor, que completa um mês de governo neste domingo, trocou os comandos das polícias Civil e Militar no Estado, prometendo uma “chacoalhada” no setor. Que novas ações pretende implantar na área de segurança pública?

Rodrigo Garcia - Tenho três prioridades: geração de emprego, proteção social aos mais pobres e melhorias na segurança pública. E mudei as três áreas. Eu acabei de anunciar para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico a Zeina Latif, uma das maiores economistas do Brasil. Ela entra na secretaria para acelerar investimentos privados no Estado e gerar emprego. Anunciei a Laura Machado, pesquisadora e economista, para a área social para que a gente tenha política nessa área, porque a pobreza está aumentando e precisamos criar políticas para ajudar os mais pobres. E anunciei mudanças nos comandos das polícias. Mantive o general Campos (secretário de Segurança Pública), mas troquei o comandante-geral da PM e o delegado-geral da Polícia Civil. Escolhi dois policiais extremamente operacionais. O coronel Ronaldo (Miguel Vieira, nomeado na PM) foi o comandante do Choque que comanda a rota, que comanda todos os batalhões especiais. E o delegado Osvaldo Nico, que vem da parte operacional da polícia. Justamente para a gente reforçar agora as operações policiais a partir dos novos comandos. Por quê? Se você comparar os indicadores deste ano com os de 2019 estamos abaixo. Mas se comparar com ano passado, cresceram muito os crimes contra o patrimônio. Os crimes contra a vida continuam abaixo. Então, essa mudança é para que a gente tenha mais operações e melhore a sensação de segurança no Estado de São Paulo. Mudei as três áreas para reforçar essas prioridades que tenho nesse período como governador.

 

Rodrigo Garcia - É uma decisão do comandante-geral que está fazendo várias trocas no Estado. E isso passa por ele e não por mim. Quem faz a remoção é o comando-geral. Eu troquei o comando-geral na segunda e começaram as remoções na terça e na quarta. O novo comandante, o coronel Ronaldo, é muito respeitado na PM e tem autonomia total para fazer as mudanças que ele entender necessárias para a gente melhorar a sensação de segurança, agradecendo o trabalho e serviços prestados por todos da PM até aqui.

 Diário - Com a anuência do senhor?

 Diário - Por que o senhor trocou o comando da Polícia Militar de Rio Preto e região?

Rodrigo Garcia - Não, não. Eu não interfiro nas mudanças nem de delegado nem de coronel. É uma decisão dele e dou carta branca para fazer as mudanças na polícia.

Diário - Por que o coronel Fábio Rogério Candido, um oficial no topo da carreira, que chegou a ser cogitado para postos mais altos, acabou num cargo que dentro da instituição é apelidado de “geladeira”. Por que ele foi punido?

Rodrigo Garcia - Especulação pura.

 Diário - Que ele poderia assumir o comando?

Rodrigo Garcia - Vamos lá: especulação pura.

 Diário - A região e Rio Preto, em especial, vivem um momento crítico em relação à falta de leitos. Os gestores municipais reclamam do sistema Cross, que dificultaria a transferência de pacientes que precisam de internações. O que o senhor pretende fazer sobre isso e melhorar o sistema Cross, que é responsabilidade do Estado?

Rodrigo Garcia - Mais investimentos na Saúde da região. Nós anunciamos o programa ‘Mais Santas Casas’ que está apoiando muitas entidades filantrópicas na região. Isso vai ajudar a desafogar o sistema. E mais investimentos no Hospital de Base, que é nosso grande complexo hospitalar. Depois da pandemia tivemos um represamento de cirurgias eletivas que agora estão aparecendo e precisamos acelerar, contratar mais cirurgias, para que a gente consiga diminuir as filas e a demanda por leitos. Eu vou anunciar grandes investimentos para o HB no Governo na Área. Vamos apoiar a Prefeitura de Rio Preto na abertura de mais leitos, o prefeito Edinho esteve comigo. A saúde tem de ser entendida como um complexo regional. A gente, atendendo vários hospitais da região, como Santa Casa de Votuporanga e Padre Albino de Catanduva, melhora o atendimento regional. O Cross é para organizar o sistema de saúde e é um bom sistema. Óbvio que se falta leito, tem mais demanda do que oferta, você vai ter fila no Cross. Então, nosso esforço é ter mais oferta de leitos, de cirurgias para que o Cross não tenha fila, mas ele é um bom sistema para regular a saúde do Estado. Tenho certeza que nas próximas semanas nós vamos ter essa situação normalizada.

 Diário - As pesquisas eleitorais recentes mostram o senhor atrás de Fernando Haddad, Márcio França e Tarcísio de Freitas. A que o senhor atribui esse quarto lugar, considerando que tem a chamada “máquina” do Estado na mão? Espera reverter nos próximos meses?

Rodrigo Garcia - Eu agradeço as pessoas que já me conhecem e que têm intenção de votar em mim, mas eu estou focado em governar São Paulo. Diferente dos outros candidatos, eu sou governador de São Paulo. A minha prioridade é governar o Estado, tomar decisões importantes para melhorar a vida da população e a partir de 15 de agosto, eu vou como candidato oficializado vou debater o que eu penso e o futuro do Estado. As pessoas estão distantes do processo político, ninguém está preocupado com campanha. Eu tenho falado que a vida das pessoas tá muito difícil e hoje elas querem saber exatamente o que o governador pode fazer para melhorar a vida delas. Quando chegar próximo do mês de setembro, vamos observar que as pessoas vão passar a prestar atenção e aí fazer a sua escolhas.

 Diário - A que o senhor atribui a alta rejeição do governador João Doria, o que tem sido elencado pelos analistas como um dos fatores de dificuldade para o senhor decolar? Como contornar essa situação?

Rodrigo Garcia - O Doria fez um bom governo e o tempo vai mostrar que ele acertou na sua gestão. Sou candidato à reeleição. No momento certo vou apresentar minha história e o que eu penso para o futuro de São Paulo. Espero ser analisado pelo que eu fiz e pelo o que faço por São Paulo.

 Diário - Teve um momento em que parecia que o senhor não seria governador. Doria não iria renunciar. Teve atrito entre ele e o senhor?

Rodrigo Garcia - Teve muita especulação no dia, mas, na prática, a história terminou como deveria ter terminado.

 Diário - É inevitável ligar o nome do senhor ao de Doria, assim como ligar Haddad a Lula e Tarcísio a Bolsonaro. O presidente Bolsonaro e Lula polarizam o debate nacional, eclipsando qualquer outro nome. Essa polarização nacional em torno dos dois pode ser vista como desvantagem?

Rodrigo Garcia - A polarização está atrapalhando o Brasil. Essa briga ideológica não está resolvendo o problema real das pessoas. Eu, como governador de São Paulo, tenho mais de 28 anos dedicados a São Paulo. Apesar de ser novo, não sou novato na política. Vou colocar toda a minha história e experiência para serem avaliadas pela sociedade. Eu digo que a minha principal tarefa, além de governar São Paulo, é proteger São Paulo contra os extremos. Mostrar que São Paulo é um Estado forte e porque sempre foi unido. Aqui, a gente sempre respeitou o contraditório, procurou governar para todos e não só para os nossos. São esses valores que eu vou levar no momento certo para ser debatido na campanha, de união, da raiz e do espírito paulista.

 Diário - Depois de mais de duas décadas de gestão tucana no Estado, o que o senhor pode acrescentar ou fazer de diferente? O que vai ser sua marca?

Rodrigo Garcia - Eu tenho 47 anos, um governador ainda jovem. Tenho como premissa de que meu partido é São Paulo. E venho como governador para fazer inovações no governo. Garantir as conquistas que São Paulo tem até agora porque temos um Estado que funciona com serviços públicos que funcionam, só que ainda temos muito a melhorar. Estou aqui justamente para promover essas mudanças necessárias para melhorar São Paulo. Eu falo que a vida está muito difícil hoje em dia, mas fora de São Paulo ela está mais difícil do que aqui dentro.

 Diário - Quem o senhor considera o maior adversário na disputa eleitoral?

Rodrigo Garcia - O maior adversário dos políticos é a fome, é a desigualdade social, e não necessariamente as pessoas. Eu vou mostrar na campanha o que penso e tenho certeza que vamos mostrar que São Paulo não quer aventureiros, não quer as pessoas não interpretem o sonho paulista de poder crescer e subir na vida. Tenho convicção que vamos ter uma grande eleição pela frente.

Vinícius Marques



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