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É #FAKE que haja mais de 400 casos de doença causada pelo consumo de tucunaré no Brasil

Vídeo com mensagem alarmista circula intensamente no Facebook. Ministério da Saúde diz que a mensagem é falsa.

É #FAKE que haja mais de 400 casos de doença causada pelo consumo de tucunaré no Brasil

Circula pelas redes sociais um vídeo em que um homem mostra um peixe que diz ser um tucunaré e exibe larvas dentro do olho do animal. A legenda em tom alarmista diz: "Atenção pescadores de Tucunaré, este é o Gnastoma Spirinelis que o Marco Parisi de Votuporanga contraiu após comer um tucunaré. Já são mais de 400 casos da doença pelo consumo de tucunaré no Brasil. É grave e pode ir para o olho , cérebro e fígado. A recomendação é não consumir (principalmente sashimis) o peixe". A mensagem é #FAKE.

selo fake — Foto: Arte/G1

selo fake — Foto: Arte/G1

Consultado pela equipe do Fato ou Fake, o Ministério da Saúde informa que a informação de contaminação pelo consumo de tucunaré é falsa. O órgão afirma que não foi notificado sobre qualquer surto alimentar nos últimos anos causados pelo consumo do peixe.

O Ministério da Saúde esclarece ainda que não existe o parasita “Gnastoma Spirinelis”. "O que há relatos na literatura mundial é de uma doença chamada gnostostomíase, causada por várias espécies de vermes parasitas do gênero Gnathostoma, com registros de casos em humanos, mas principalmente em áreas tropicais e subtropicais, sendo mais comumente diagnosticada na Ásia."

Mensagem tem dezenas de posts no Facebook — Foto:  Reprodução

Mensagem tem dezenas de posts no Facebook — Foto: Reprodução

Doutor em medicina veterinária com atuação na área de Tecnologia e Inspeção Higienicossanitária do Pescado e Sanidade de Organismos Aquáticos, Andre Muniz Afonso diz que o peixe mostrado no vídeo é mesmo um tucunaré.

Professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), ele destaca que a identificação dos parasitas não pode ser feita apenas pela visualização do vídeo, pois é necessária a coleta de algumas amostras e posterior identificação por especialistas.

Contudo, Muniz acredita que os parasitas mostrados no vídeo sejam da família Diplostomidae, conhecidos como "vermes dos olhos" (eye-flukes) pelos criadores de peixes.

Ele diz que esses parasitas podem ser encontrados no cristalino e humor vítreo dos peixes, levando-os à catarata e cegueira. Isso faz com que tenham dificuldade em se alimentar, emagreçam e morram. Esses parasitas não estão associados a doenças em humanos, apesar de causarem prejuízos em criações de peixes, normalmente no Norte do Brasil.

De acordo com o professor, as formas mais seguras de se consumir os peixes são aquelas onde existe o tratamento pelo calor. "Recomenda-se o cozimento a, pelo menos, 60 °C por 10 minutos. No caso do consumo cru, recomenda-se, previamente ao consumo, que o peixe seja congelado."

Ele destaca que decreto 9.013, de 29 de março de 2017, publicado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), recomenda que "os produtos da pesca e da aquicultura infectados com endoparasitas transmissíveis ao homem não podem ser destinados ao consumo cru sem que sejam submetidos previamente ao congelamento à temperatura de -20ºC (vinte graus Celsius negativos) por vinte e quatro horas ou a -35ºC (trinta e cinco graus Celsius negativos) durante quinze horas."

O professor aponta, entretanto, que o congelamento não elimina os riscos do consumo do pescado cru causados por microorganismos, como bactérias, por exemplo.

Assim como o Ministério da Saúde, o professor destaca que a mensagem que circula na internet veicula de forma errada o nome do parasita. "O nome correto do gênero é Gnathostoma, existindo várias espécies, dentre elas o Gnathostoma binucleatum, Gnathostoma spinigerum, Gnathostoma doloresi, mais comuns na América do Sul."

Segundo o professor, esses parasitas podem provocar a doença conhecida como Gnatostomíase no homem, principalmente pelo consumo de peixe cru, com destaque para certas espécies usadas em ceviches.

Ele diz que esses relatos são mais comuns no Peru e no Equador, com apenas três relatos na literatura para o Brasil. Em um deles, um homem do Rio de Janeiro, de 37 anos, em viagem ao estado de Tocantins, relatou ter consumido tucunaré cru.

O homem apresentou vermelhidão subcutânea causada pela migração do parasita e, após o diagnóstico definitivo, foi medicado e apresentou cura imediata.

Muniz explica que o homem não é o hospedeiro comum do parasita e, uma vez infectado, a larva geralmente fará uma migração errática, sendo mais comumente encontrada no tecido subcutâneo dos membros superiores, causando desconforto e irritação. O parasita pode ser removido em procedimento médico simples.

Existem casos mais graves onde essas larvas foram parar nos pulmões, sistema digestório, sistema genitourinário, ouvidos, olhos e sistema nervoso central. Mas, segundo o professor, nada se compara a esse número veiculado na mensagem falsa, de 400 casos.

É #FAKE que tucunaré causou mais de 400 casos de doença no Brasil  — Foto:  Reprodução

É #FAKE que tucunaré causou mais de 400 casos de doença no Brasil — Foto: Reprodução



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