O caso que chocou Jales em 2025 ganhou novos desdobramentos. Segundo informações exclusivas apuradas pelo A Voz das Cidades, Ademar Bocalon Rodrigues, apontado como autor de uma série de envenenamentos de cães e gatos no Jardim América, não está mais detido na região de origem.
Após sua prisão preventiva, Bocalon foi inicialmente levado para a cidade de Paulo de Faria, e posteriormente transferido para uma unidade penitenciária em Votorantim, onde atualmente cumpre pena.
A transferência teria ocorrido por questões de segurança e compatibilidade com o regime prisional definido após as decisões judiciais que se sucederam nos últimos meses.
O CRIME QUE CHOCOU JALES E REVOLTOU O PAÍS
Jales amanheceu em estado de revolta quando o Ministério Público confirmou, em 2025, a prisão preventiva de Ademar Bocalon.
Segundo o processo nº 1506293-38.2025.8.26.0388, ele foi identificado como responsável por pelo menos cinco mortes de animais — quatro cães e um gato — entre os dias 8 e 16 de outubro de 2025, no Jardim América.
As imagens das câmeras de segurança, divulgadas pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, foram decisivas: nelas, Bocalon aparece atirando sacolas com alimentos contaminados nas calçadas e portões das residências, sempre a bordo de um VW/Voyage branco.
Os vídeos e laudos veterinários confirmaram o método cruel:
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sacolas arremessadas no período da manhã e tarde;
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cães e gatos ingerindo o conteúdo;
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mortes por intoxicação exógena;
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sintomas como convulsões, vômitos e salivação intensa.
Os tutores das vítimas — identificados pelas iniciais V.R.M.S., R.F.R., R.A.B. e R.G.S. — relataram momentos de puro desespero enquanto seus animais agonizavam.
PARECER DO MINISTÉRIO PÚBLICO: “INSENSIBILIDADE E COVARDIA”
Em parecer contundente, o promotor Eduardo Hiroshi Shintani classificou o crime como um ato de:
“absoluta insensibilidade e extrema covardia”
Destacou ainda:
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forte clamor social,
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risco de linchamento, caso fosse solto,
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reincidência em crime doloso,
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probabilidade de reiteração criminosa,
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e a necessidade de prisão para garantia da ordem pública.
O MP também obteve autorização judicial para busca e apreensão de substâncias tóxicas, sacolas e dispositivos eletrônicos na casa do acusado.
MODUS OPERANDI: A ROTINA DA CRUELDADE
A investigação revelou detalhes perturbadores:
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08/10 – 10h55: Bocalon sai de casa com sacolas plásticas.
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08/10 – 12h04: um cão ingere o conteúdo e morre agonizando.
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15/10 – 15h24: novo ataque registrado; um cão vomita fragmentos de sacola.
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15/10 – 15h26: joga outro pacote; um gato e uma cadela morrem.
O rosto do acusado e a placa do veículo aparecem nitidamente nos vídeos.
COMOÇÃO E PRESSÃO POPULAR
A população de Jales tomou as ruas. Manifestações foram registradas em frente à Delegacia. Redes sociais explodiram em indignação. O caso virou símbolo da luta contra a crueldade animal.
A Promotoria destacou em parecer:
“risco de efervescência social e sentimento de impunidade”
caso o acusado fosse liberado.
O CAMINHO ATÉ A PRISÃO EM VOTORANTIM
Após a decretação da prisão preventiva:
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Bocalon foi preso em Jales e custodiado pela Polícia Civil.
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Transferido para Paulo de Faria, primeiro destino designado.
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Posteriormente removido para Votorantim, onde cumpre pena.
As razões envolvem:
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segurança interna,
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características da unidade prisional,
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avaliação da SAP (Secretaria de Administração Penitenciária),
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organização dos internos por perfil e tipo de crime.
Desde então, Bocalon permanece isolado da comunidade jalesense, mas o caso continua repercutindo pela brutalidade e comoção que provocou.
UM MARCO NO COMBATE À CRUELDADE CONTRA ANIMAIS
A prisão e a transferência do acusado reforçam a importância da atuação conjunta:
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Polícia Civil,
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Ministério Público,
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Judiciário,
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tutores,
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e da própria sociedade civil organizada.
Jales mostrou que não tolera covardia contra animais e que a resposta institucional pode ser rápida, técnica e firme quando o crime revolta toda uma comunidade.